Bioética e produção animal: necropolítica zootécnica como regime de governo
Resumo
Propõe-se o conceito de necropolítica zootécnica como categoria analítica para compreender formas de governo da vida e morte nos sistemas industriais de produção animal. Com base na teoria necropolítica de Achille Mbembe, em diálogo com autores como Foucault e Agamben, analisa-se a produção animal intensiva como laboratório da racionalidade necropolítica, em que a vida é mantida apenas enquanto produz valor econômico. O método teórico-conceitual consiste na reconstrução crítica dos fundamentos
históricos, epistemológicos e políticos da zootecnia moderna. Nessa perspectiva, o conceito de “porteira adentro” é ressignificado como zona de exceção que legitima práticas de confinamento. Os resultados teóricos indicam que a necropolítica zootécnica não constitui anomalia do sistema, mas sua forma normalizada de funcionamento, de modo a evidenciar a convergência entre tecnociência, economia e violência institucional. Ao tornar visível esse regime, o estudo contribui para o alargamento da bioética crítica e o debate sobre transição pós-produtivista em países de capitalismo periférico.
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