Bioética e produção animal: necropolítica zootécnica como regime de governo

Autores

Resumo

Propõe-se o conceito de necropolítica zootécnica como categoria analítica para compreender formas de governo da vida e morte nos sistemas industriais de produção animal. Com base na teoria necropolítica de Achille Mbembe, em diálogo com autores como Foucault e Agamben, analisa-se a produção animal intensiva como laboratório da racionalidade necropolítica, em que a vida é mantida apenas enquanto produz valor econômico. O método teórico-conceitual consiste na reconstrução crítica dos fundamentos
históricos, epistemológicos e políticos da zootecnia moderna. Nessa perspectiva, o conceito de “porteira adentro” é ressignificado como zona de exceção que legitima práticas de confinamento. Os resultados teóricos indicam que a necropolítica zootécnica não constitui anomalia do sistema, mas sua forma normalizada de funcionamento, de modo a evidenciar a convergência entre tecnociência, economia e violência institucional. Ao tornar visível esse regime, o estudo contribui para o alargamento da bioética crítica e o debate sobre transição pós-produtivista em países de capitalismo periférico.

Palavras-chave:

necropolítica, produção animal, bioética crítica, sofrimento animal, zootecnia, Bioética. Bem-estar do animal. Criação de animais domésticos. Política de alimentos.

Biografia do Autor

Juliana Costa Velho de Abreu, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro/RJ, Brasil.

Juliana Costa Velho de Abreu – Mestra – julianacostavelho@gmail.com
0000-0002-9590-3880

Como Citar

1.
Costa Velho de Abreu J. Bioética e produção animal: necropolítica zootécnica como regime de governo. Rev. Bioét. [Internet]. 27º de julho de 2026 [citado 18º de agosto de 2026];34. Disponível em: https://www.revistabioetica.cfm.org.br/revista_bioetica/article/view/4055