Governança hospitalar, saúde mental e bioética na sindemia de covid-19
Resumo
Este artigo analisou as respostas institucionais da governança pública em saúde mental adotadas por um hospital universitário público durante a sindemia de covid-19, com ênfase nos modelos bioéticos que fundamentaram as decisões organizacionais diante do sofrimento psíquico dos trabalhadores. Trata-se de estudo observacional, descritivo-exploratório, com abordagem mista, longitudinal e
retrospectiva, realizado entre 2017 e 2021, em Alagoas. Foram analisados 765 registros de afastamento por transtornos mentais e foram conduzidas entrevistas com gestores. Os dados foram submetidos a análise estatística e temática. Não houve aumento significativo nos afastamentos, com maior incidência entre trabalhadores de contato intermediário. A análise evidenciou dilemas éticos, como a suspensão de cirurgias eletivas. As respostas da governança foram predominantemente orientadas pelo principialismo bioético, equilibrando autonomia, justiça, beneficência e não maleficência. A adoção de um modelo bioético articulado a estratégias institucionais configurou-se como elemento protetivo à saúde mental e favoreceu uma resposta ética e humanizada à crise sanitária.
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